Valente!

Quem conhece a Isa sabe que ela é um poço de ansiedade. Do tipo que até rói a unha. Tudo que conversamos e combinamos, ela repassa diversas vezes para não esquecer e, no decorrer dos dias vai falando sobre o que já fez e o que ainda tem que fazer. É muito comum antes de ir dormir, ela me fazer a seguinte pergunta: “Amanhã o que é?”, que significa querer saber o que temos para o dia seguinte.

Outra característica pessoal da mocinha é a memória inacreditável das conversas que a gente tem. Mesmo que façamos planos em longo prazo, seja de comprar algo ou fazer algum passeio específico, ela não fica cobrando ou lembrando, mas quando chega o momento, ela se lembra e comenta.

Certa vez estávamos no mercado e ela viu um protetor solar que vinha acompanhado por um bonequinho. É claro que me pediu, mas expliquei que não precisávamos, pois tínhamos protetor em casa, mas quando acabasse poderíamos comprar daquele. Ontem, quando o pai disse que iria comprar protetor para irem à piscina ela voltou na conversa de tanto tempo e pediu a ele que comprasse o que vinha com o boneco. É claro que ele comprou.

Na verdade estou falando sobre tudo isto para poder comentar sobre a experiência da Isa com os exames laboratoriais que realizou neste final de semana. Apesar de eu saber que ela fica processando as informações que passo para ela, não gosto de pegá-la de surpresa em situações como esta que sei que não serão das mais agradáveis que ela irá enfrentar.

Na noite anterior aos exames, disse que teríamos que sair de casa cedo no dia seguinte e que não poderíamos tomar café da manhã e nem fazer xixi, pois ela teria que colocar o xixi e um pouco de sangue nos potinhos para que o médico cientista pudesse ver como o corpo dela estava funcionando por dentro. Sobre o xixi foi fácil entender, mas quanto ao sangue precisou de um pouco mais de explicação.  Antes de dormir, ela já havia entendido que uma picadinha seria necessária e me falou: “Acho que eu vou ficar um pouquinho assustada!” ao que eu respondi com toda segurança do mundo: “Tudo bem, eu vou estar lá com você!”

img_20161203_114607899No laboratório, teve um comportamento invejável para uma garotinha de apenas 3 anos. Estava nitidamente ansiosa e nervosa, mas assim que fez seu xixi no copinho, já se sentia um pouco orgulhosa. Sinto decepcionar quem está imaginando que ela não chorou na hora de tirar sangue, pois ela chorou sim. Porém, em momento algum impediu o trabalho da enfermeira. Segui todas as orientações de como segurá-la e o carinho das atendentes foi tão grande que, apesar do choro nada escandaloso, ela esticou o bracinho e deixou o procedimento acontecer. Saiu da sala com elogios, bexiga, curativos para colocar nas bonecas e a sensação de vitória diante do desafio.

O curativo no braço ficou o dia todo sendo exposto como um troféu pela sua conquista e para que ela pudesse contar para todos o quanto ela foi valente.

Mais uma vez, mamãe super orgulhosa e grata por ela ser uma garotinha tão fácil de cuidar e ensinar.

Até breve!

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